domingo, 29 de julho de 2012

Resenha: A Culpa é das Estrelas


Sinopse

Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.

Escrito por John Green;
Publicado pela Editora Intrínseca;
Contém 290 páginas.

Resenha

Dizem que após você ler um livro do John Green, tudo o que você quer fazer é se deitar em um cantinho escuro e chorar pensando sobre a história, as personagens, o que ela significou para você. Bem, não foi bem isso o que aconteceu aqui: a parte do chorar, confere; mas ao invés de puxar um cobertor e ir me deitar para pensar em tudo sobre o livro, decidi voltar ao seu começo e devorá-lo de novo e absolver todas as mensagens que o autor decidiu passar, de novo, pelo simples motivo que eu estava tão chocado e tão extasiado com a leitura que eu não conseguia escrever nada a respeito de A Culpa é das Estrelas que merecesse ser visto por alguém. Mas depois da releitura, sinto que finalmente conseguirei escrever algo decente... 

 E aí tem livros (...), do qual você não consegue falar – livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.
- página 37

Não é preciso comentar muito que A Culpa é das Estrelas não é um livro típico sobre uma pessoa que descobre que tem câncer e irá lutar contra a doença, virar trending topic no twitter e se transformar em um ícone no combate contra ela. Está claro desde o primeiro capítulo que não é a intenção do autor deixar a luta pela sobrevivência em primeiro plano, porque ele reservou algo maior para se discutir durante as quase 300 páginas do livro: a aceitação do câncer pelo indivíduo e como ele pode alterar a vida de uma pessoa.

Tudo isto está centrado na Hazel, uma menina de quase dezessete anos, que desde os treze foi diagnosticada com câncer em estágio terminal na tireoide, mas ela continua viva graças a um milagre da medicina, o Falanxifor. Ela é um soldado caído em um campo de batalha durante boa parte do livro, que esconde seus temores e fragilidades atrás de sarcasmo e ironias, fazendo piadas sobre tudo – incluindo o câncer –, como se faltasse uma força que conseguisse reergue-la da depressão. Esta força se chama Augustus Waters, o Gus, que vai sutilmente levantando Hazel e quebrando os muros do mundo fechado que ela criou para si.

Logo depois, a partir da interação entre Hazel e Gus, ele é apresentado ao livro Uma Aflição Imperial - o preferido dela -, que não só ajuda os dois a se aproximarem com o desejo comum de descobrir o que acontece depois de seu final, mas também ajuda a tecer e movimentar a história de Hazel. Importante: você pode pesquisar a vontade na Amazon, Saraiva, etc, mas você não encontrará este livro em lugar nenhum, porque ele não existe de verdade - é uma criação de Green para ACEDE.

Você deve estar se perguntando agora: “mas, nossa, este livro é tão pesado assim?”.

Na verdade não. Nada do que foi dito nesta resenha, essas mensagens extraídas do livro, é mostrado de um jeito sério ou pesado. O autor consegue camuflar todas as suas mensagens através da narração de Hazel, que é cheia de ironias, sarcasmo e pouco emotiva – o que não quer dizer que ela não emociona o leitor, só que a personagem não quer deixar transparecer seus sentimentos.

Também existe a química entre Hazel e Gus, o modo como eles se conhecem e como vão se apaixonando é tão lindo, simples e sincero que só consegue significar uma coisa: o amor verdadeiro, o companheirismo além das necessidades pessoais e, acima de tudo, as alegrias e dores compartilhadas em seus diversos momentos.

Mas Hazel não descobre apenas a paixão ao conhecer o Augustus; ela também descobre outro tipo de amor, tão verdadeiro quanto a paixão, e talvez mais forte até do que ela: um amor de amigo, representado pelo Isaac, um garoto que sofre de câncer nos olhos e está para ficar cego. E é da interação entre ele, Gus e Hazel que vemos este tipo de laço, do qual nenhum ser humano consegue viver sem – e, novamente, explicado sutilmente e de maneira leve através da narração de Hazel.

É isso o que o livro tem de mais incrível: a sinceridade com o que o John Green escreve, provando que ele realmente acredita naquilo que ele quer dizer, que é realmente algo que ele tem a dizer dele para nós, leitores. Assim como também existe uma grande influência de Shakespeare em quase todos os capítulos, seja por um elemento ou pela simples situação ou explicação de algo.

Se isso ainda é pouco, imagine então que tudo o que foi discutido na resenha, e entre muitas mais coisas, vêm também através de metáforas no livro. Sim, John Green usa muitas metáforas para reforçar aquilo que ele pretende dizer ao leitor, principalmente através das falas de Gus e das observações de Hazel. Isso só mostra o quão genial é o autor, como ele se dedicou para escrever esta obra-prima, um livro que é praticamente impossível esquecer depois que você termina de ler.

– Acho que ele é, tipo. Ao ler esse livro, eu fico sentindo como se, como se...
– Como se? – questionei, de provocação.
– Como se fosse um presente? – ele completou, num tom interrogativo. – Como se você tivesse me dado uma coisa importante.
- página 66

E é o que se sente, afinal, ao ler A Culpa é das Estrelas. Como se o livro fosse um grande presente de John Green aos leitores, como se ele nos tivesse dado algo importante – e ele deu. Não uma história como muitas outras sobre o câncer, mas uma de companheirismo verdadeiro e aceitação de que nem sempre as estrelas [o destino] está do nosso lado, que às vezes as coisas acontecem por linhas certas e outras por linhas tortas.

John Green consegue criar um livro de extremos opostos: um livro dramático e cômico, de melancolia e alegria, de perda e ganho, etc.

É uma obra genial, impressionante, que desafia os limites da fé individual sobre o significado da vida e da sobrevivência do câncer, e testa o leitor a se posicionar como Hazel e Gus fizeram com Uma Aflição ImperialEncerro dando graças a Deus que Green não é nenhum Peter Van Houten (quem ler irá entender).

DFTBA!

Nota: 5/5.



6 comentários:

R@fa on 29 de julho de 2012 02:08 disse...

URGHHH....John Green faz isso mesmo com as pessoas, é isso o que ouço dizer sobre ele desde Quem é você Alasca.
Seria mentira afirmar que não estou a fim de ler A Culpa é das Estrelas, porque é aquele livro que você sabe que vai chorar e mesmo assim, a teimosia vence.
Gabriel não irei estender muita a minha opinião, mas adorei a resenha e é nitída a emoção em que ela está escrita.
Devido a sua recomendação será adquirido na bienal no estande da Intrínseca tudo porque A Culpa é das Estrelas e sua também.

Juan on 29 de julho de 2012 23:03 disse...

A Culpa é das Estrelas já galgou o topo da minha lista de próximas compras, já li inúmeras críticas para lá de entusiasmadas, e devo admitir que quanto mais resenhas leio sobre esse livro fico mais curioso. Ótima resenha!

Abraços
Juan - http://sempre-lendo.blogspot.com.br/

Dryh Meira on 30 de julho de 2012 17:36 disse...

Oiii
Adorei a resenha parabéns
Aiin, como eu quero ler esse livro!!
Achei a capa muito linda, não é do jeito que eu 'prefiro' mas é linda, é simples e ao mesmo tempo detalhada.
A história do livro me comoveu muito, mesmo que eu só tenha lido algumas resenhas dele e a sinopse
Bjs
Adorei o blog, sucesso
http://shakedepalavras.blogspot.com.br

JC on 1 de agosto de 2012 00:45 disse...

Estou muito ansioso para ler esse livro e depois de ler uma resenha tão boa e sincera essa vontade apenas aumentou!!
Fico feliz de saber que você gostou do livro, mas se você chorou ao ler imagino como eu (uma pessoa extremamente sensível) vou ficar.
Como falaram no outro comentário, mesmo sabendo disso tudo a teimosia vence. rs
;D

Rebecca on 1 de agosto de 2012 01:59 disse...

Primeiro ver, você dar 5 de 5 para um livro é raridade, e sendoo isso raridade sei que terei de comprar o livro e sinto que isso ocorrerá na bienal porque estou simplesmente louca por ele! Sem mais! aushusahsa Eu li a resenha dele em primeira mão meros mortais -n e ainda assim li de novo agora. Eu simplesmente estou fascinada e não li absolutamente nada do autor... Acho que esse é o livro que mais quero dos últimos tempos ainda mais porque fala sobre livros e eu realmente divido esse primeiro pensamento da página 37 é muito difícil escrever resenha de um livro que amamos, apesar de querer falar sobre ele por dias e dias nos sentimos traídos por falar, queremos que a obra genuína seja somente nossa, mas para um blogueiro essa é com toda a certeza uma tarefa complicada... =s Enfimm ameeeeeeei <3
Beijooo Gabriel seu lindo
http://www.temosmuitomaispradizer.com

Lanny on 3 de agosto de 2012 09:45 disse...

Ahhhh estou louca para ler esse livro, só esperando minha verba cair para comprá-lo kkkk

Beijoos

Lanny
http://www.leituraeoutrostantos.blogspot.com

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